Brasil, o país das “Alices” O Brasil dos desinformados continua escravo da ignorância

Brasil, o país das “Alices”

Não posso falar muita coisa sobre as gerações dos anos 60 e 70 porque não as vivi. Quando o Brasil foi tricampeão do mundo de futebol na Copa de 1970, eu era apenas uma criança de 10 anos brincando nas ruas de uma pequena cidade do interior do Ceará. Mas há livros que narram, que as gerações 60 e 70 foram bastante ativas, e conseguiram grandes avanços ao quebrar velhos tabus, conquistando o direito à liberdade participativa, e não representativa ditada pelos políticos e governantes.

 

Lembro, ainda muito criança, que muitos jovens que aderiram a onda hippie foram às ruas dos EUA com cartazes nas mãos pedindo “peace and Love” para que as forças americanas saíssem do Vietnam, onde lutavam para que o comunismo não vencesse como sistema de governo, tal e qual fizeram nas Coreias, Afeganistão e outros países do mundo.

Médici levanta a Taça do Mundo em 1970: Imagens de Arquivo

Nos anos 1970 nós não tínhamos notícias da barbárie que os ditadores de farda praticavam no Brasil, tendo como pano de fundo um suposto “levante comunista”, gerado pela neurose da famigerada “guerra fria” entre as duas maiores potencias do mundo. De um lado, o Bloco capitalista liderado pelos EUA, e do outro, o bloco socialista liderado pela ex-URSS. O que tínhamos era pão, rapadura e circo. As notícias que tínhamos saiam da difusora do seu Jonas, o dono de uma barbeira no mercado central.

Definitivamente houve um engano que ceifou a vida de milhares de inocentes. Não havia movimento revolucionário no Brasil, o que havia era um governo a favor de reformas que contemplassem as classes trabalhadoras, a democratização das terras via indenização, como feitas no governo Lula, e não através de desapropriação monocrática.

Mas os EUA queriam governar o Brasil, o seu quintal, não queriam perder o chicote de esfolar escravos, e usou os militares para tal fim. Tinham receio de perder essa vasta imensidão de riquezas naturais para os russos. Alguns valorosos e resistentes brasileiros, que até hoje os tiranossauros chamam de “terroristas”, lutaram contra o golpe militar e não para implantar um sistema socialista de governo. Em país nenhum que tentaram através do voto deu certo, apenas através das armas.

Ainda alcancei o governo do general João Baptista Figueiredo, que apesar do controle total do Estado, dizem, era um dos mais equilibrados, tendo passado a onda de perseguições, torturas e mortes praticadas a partir de Médici e Geisel, os gaúchos matadores. Foi o último dos militares no poder, apesar de sabermos que Tancredo Neves seria manipulado por eles, assim como foi José Sarney.

Mas éramos uma juventude que gostava de ler os mais variados livros, assistir Glauber Rocha, e ouvir Gil, Caetano, Chico, Rita e outros grande artistas que, através da música, nos passavam uma mensagem de esperança de dias melhores. Teatros, cinemas, shows ao vivo, muita vezes dispersados pela PE e PM, eram a nossa distração. Não éramos alienados.

Hoje, passados 40 anos, nossa população empobreceu culturalmente, atrofiou, não se desenvolveu politica e socialmente. Explodiu há 30 anos uma geração totalmente alienada, que curte músicas sertanejas descartáveis, forrós bregas e pancadões. Desconhecem a história de torturas e mortes nos porões, e das mega-corrupções, em obras faraônicas inacabadas e desnecessárias, como a transamazônica, por exemplo.

Pedem “intervenção militar” em pleno século XXI porque tem medo de militares, porque devem à justiça ou por ignorância?. Aposto na última hipótese, pois apoiam Bolsonaro, um bangalafumenga sem noção, e mais, votam nas celebridades pelo poder financeiro e nada mais. Escolhem governantes e representantes políticos sem saber as prerrogativas de um político, de vereador à presidência da república. Desconhecem nosso sistema de governo, não sabem que os poderes são (ou deveriam ser) destintos entre si. Votam em quem a Rede Globo mostrar como o “melhor”, e eu que pensava que jamais teríamos “Collores e “Fernandos”, heróis fictícios criados pela mídia mais uma vez. Somos, de fato, um Brasil das “Alices”, ainda que sem nada de “maravilhas”, porque somos massa de manobra. 

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