Hoje nasceu um homem chamado ‘esperança’

Um homem chamado ‘esperança’

A fome provocada pelo flagelo das secas perenes no semiárido nordestino era uma tragédia sem proporções, mas servia para colocar coronéis oligarcas e inescrupulosos no poder, na chamada “indústria da seca”. Eles tratavam essa gente como mercadoria, e os viam como bicho. As imagens de africanos esquálidos dentro de acampamentos para refugiados da ONU, até hoje chocam o mundo, e muitos fotojornalistas estrangeiros ganharam prêmios Pulitzer por registrar esses momentos cruéis, mas, se viessem para o sertão nordestino encontrariam cenas tão chocantes quanto, um verdadeiro cenário de morte e abandono, onde as disputas pelos prêmios seriam acirradas.

Era comum famílias inteiras de nordestinos à beira da estrada, cadavéricos, rotos, pedindo esmola. Era comum o gado, o caprino, gatos e cães de estimação tombados no solo rachado, causticante, sem uma gota d’água, sendo mumificados uma vez que até as aves que se alimentam de carne em decomposição debandavam em busca de água. Muitas vezes víamos pessoas levando nos ombros cadáveres dentro de redes, e ‘anjinhos’ (crianças mortas antes de completar um ano) apenas enrolados em retalhos de panos, às covas rasas, a parte que lhes cabia do latifúndio. A morte provocada pela seca era tão comum quanto as pestes que dizimaram milhões na Europa. Rachel de Queiroz retratou a morte em seu livro “O Quinze”, mas “A Normalista” do escritor aracatiense Adolfo Caminha, nos primeiros capítulos também retrata a condição de vida desumana dos nordestinos sertanejos.

Os governos anteriores mandavam cestas básicas distribuídas através do Exército, para amenizar o sofrimento dos que conseguiam chegar à cidade com vida. O povo fazia filas intermináveis para receber feijão cheio de gorgulhos, arroz com lagartas, bolachas, fubá de milho e café vencidos. A maior parte desses recursos ficava no caminho. Era comum comerciantes amigos dos políticos reabastecerem suas prateleiras com os alimentos doados, até por outros países, aos flagelados da seca.

Mas esse quadro mudou

Exatamente há 72 anos no semiárido de Caetés, na época distrito de Garanhuns, interior pernambucano, um menino pobre, desnutrido, sem nada que lhe garantisse passar dos três meses de vida, nasceu. Pela localização geográfica esse menino seria apenas mais uma estatística. Mas, por não aguentar a fome, sua família partiu – como a maioria dos retirantes nordestinos – em um caminhão pau-de-arara para São Paulo, tentando driblar a sorte, em busca trabalho e um pouco de dignidade.

Luiz Inácio Lula da Silva venceu a morte, e chegando a São Paulo foi trabalhar de engraxate para ajudar a família. Tomou vermífugos, melhorou a nutrição e foi crescendo.  Fez curso de metalurgia oferecido pelo SENAC e conseguiu uma vaga de lanterneiro na Volkswagen do Brasil, instalada no ABC paulista. Foi lá que surgiu o homem político, com habilidade fenomenal de negociação entre patrão, militares e empregados. Conseguiu através de movimentos de greves históricos grandes reivindicações trabalhistas, depois colocadas à todos.

Lula, sua eterna companheira Dona Marisa Letícia, e mais uma leva de intelectuais de esquerda fundaram o Partido dos Trabalhadores, a classe que ele cresceu defendendo. Tentou três vezes ser presidente do Brasil, e na quarta, o povo deu-lhe uma chance, e ele soube agradecer essa chance.

Ele foi o redentor, pois dentre tantas maravilhas como retirar 30 milhões de brasileiros da linha da miséria, retirar o País do mapa da fome segundo dados da ONU, acabou com a industria da seca colocando um projeto secular em ação, retirando do papel a Transposição do Rio São Francisco, já em fase final de conclusão. As famílias não terão mais que sair de suas terras em busca de trabalhos em condições degradantes, pois podem plantar e colher, tanto com água da transposição como através das milhares de cisternas construídas e entregues em suas gestões; do projeto luz para todos que chega aos mais longínquo nordestino, seguro safra que beneficia a pequena agricultura e transferência de renda através do bolsa família.

Lula é reconhecido no mundo inteiro como o maior Estadista que o Brasil já teve, é referencia mundial no combate à fome, mas a mídia plutocrata controlada por seis famílias não gosta dele, e diuturnamente apresenta esse redentor como corrupto, mal feitor, mesmo que as provas mostrem ao contrário.

Feliz aniversário, Lula, e obrigado por ter feito do Brasil uma grande nação, livre, soberana e igual para todos e todas. Hoje nasceu um homem chamado ‘esperança’

Carlos Medeiros

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