A polêmica da primeira sentença depois da Reforma Trabalhista. Juíza do Trabalho escreve sobre a polêmica primeira sentença após a reforma trabalhista e anexa documentos

Dra. Eloína Machado, juíza do trabalho

Alguém sabe quem é Cosme? Eu vou contar. Cosme dos Santos, gente simples, nasceu e cresceu no meio rural, mal sabe assinar o nome, tarefa que aprendeu por pura necessidade de trabalhar e ter a CTPS assinada, era a única garantia que tinha, para, quem sabe, aposentar-se um dia. Tudo caminhava com tranquilidade naquela vida dura, de sol a sol, no campo, pegando no pesado, colhendo cacau e carregando as amêndoas para o secador; estava acostumado, trabalho não lhe metia medo. Até que no fatídico dia de 23 de setembro, às 5h já de pé e pronto para iniciar a labuta, um movimento estranho lhe chamou a atenção, no momento seguinte homens armados invadiam a casa da fazenda do patrão e desferiam quatro tiros no seu abdome. Os olhos escureceram, enquanto uma dor lancinante tomava-lhe o corpo e minava suas forças. Ali mesmo caiu. Foi socorrido, não sabe por quem. Ficou “encostado” por um tempo, contando os dias para voltar ao trabalho; não era homem de moleza. Para seu desespero, e fez questão de se apresentar ao trabalho no dia seguinte logo à licença, recebeu do patrão o “mandado embora”. Viu que o seu calvário estava só começando, porque nada recebeu. Atordoado e sem saber o que fazer, lembrou de um advogado a quem procurou e relatou-lhe a saga. Ação pronta, tudo direitinho. Compareceu a audiência com o peito inflado de esperança, tinha certeza que a justiça seria feita. Enfim, sai a tão esperada sentença: direito não tem, mas tem que pagar para o patrão, pela litigância de má-fé. Não sabia o que era isso, mas boa coisa não era. Nunca imaginou que o seu nome fosse parar nas manchetes de jornais, logo ele, que preferia perder a língua a um dedo de prosa errada, disse a verdade ao doutô, não aumentou nem um fiapo; contou tudinho, até a hora de trabalho falou como o patrão dizia que era para ser; os olhos se turvaram de novo; o mesmo gosto de sangue que sentira voltou à sua boca; o coração travou; pensou consigo, num lampejo: essa é a verdadeira morte, os tiros que não tiraram a minha vida tiraram agora o que sobrou dela; Como disse o cancioneiro Gonzaguinha: “E sem a sua honra se morre, se mata. Não dá pra ser feliz.. Não dá pra ser feliz””

E vejam abaixo alguns documentos dos autos:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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